Conselhos

Dar conselhos me soa como uma atividade perigosa. Alguém dar conselho para o outro sem nenhum comprometimento é muito fácil e pode ser extremamente irresponsável. Você pode aconselhar alguém a comprar uma casa, por exemplo, mas quem vai pagar as prestações é a pessoa aconselhada e quem aconselhou não tem nada com isso. Ou aplicar em certas ações na bolsa ou fazer um negócio qualquer. “Isso é um bom negócio”, diz alguém para outro e depois, se o negócio der certo ou errado, o palpiteiro não tem tem qualquer envolvimento. Usar e expressão palpiteiro foi proposital pois um conselho pode, com frequência, ser nada mais que um palpite, um chute, sem qualquer responsabilidade ou envolvimento do aconselhador, o palpiteiro.

O conselheiro bem intencionado, por outro lado, tem que ter compromisso com a verdade, tem que ser sincero, cuidadoso e chamar atenção sobre as dúvidas e os riscos. As observações devem ser sempre acompanhadas de hipóteses, as quais ele deve chamar bastante atenção para que o aconselhado pondere sob que condições as sugestões valem.

Claro que o aconselhador deve ter conhecimento suficiente do assunto para poder dar as dicas. Infelizmente, vemos muitas pessoas que jamais jogaram futebol acharem que sabem mais que o técnico da seleção brasileira ou um leigo achar que sabe mais sobre medicina que um médico, dentre tantos exemplos.

Porém, quando o aconselhador assume publicamente sua posição, com todas as ressalvas necessárias, sua dica deixa de ser um palpite. Ao contrário, a participação do aconselhador passa a ser extremamente responsável. Claro que o aconselhador pode cometer erros, uma vez que é um ser humano, sujeito a falhas e limitações.

E quanto vale o “conselho”? Se for correto, bem ponderado, ajustado ao assunto e provavelmente muito eficaz, ainda assim pode não valer nada. Porque as informações dadas aumentam e melhoram, em princípio, os conhecimentos do aconselhado; porém, se ele/ela, apesar de ter compreendido, não adotar a sugestão e não agir de acordo, não terá resultado e, portanto, não terá valor. Saber mais na vida é, para a maioria das pessoas, algo agradável e prazeroso, mas se os conselhos têm o objetivo de solucionar um problema ou propor um caminho de atuação, não haverá eficácia se a ação não acontecer. Quanto já se disse a pessoas que exercícios são fundamentais para manter a saúde e quão pouco isso é adotado. São, portanto, conselhos ineficazes.

Se você busca um conselho procure com alguém que você conhece e/ou respeita e que tenha conhecida competência no assunto ou bons resultados na mesma área que você investiga. Procure, em resumo, um Mentor ou Mentores que possam lhe dar responsavelmente essas boas orientações.

Muita gente não faz isso simplesmente porque aprendeu que na vida cada um luta por si mesmo e que “ninguém ajuda ninguém”. Isso pode ser uma verdade para alguns mas não é uma realidade genérica. Há pessoas que se sentem bem e têm satisfação em ajudar os outros a crescerem, conforme atestado e defendido pelo psicólogo Carl Rogers.

E fazer sozinho, sem ajuda, sem consultar alguém, sem trocar idéias, pode permitir um grande acerto mas, com frequência, pode gerar problemas já vividos por outros. Não é bom aprender com os próprios erros? Sim, mas é melhor aprender com o erro dos outros…

Na minha opinião, o conselho pode ser dado, mas mediante solicitação e não por inciativa do aconselhador. Mesmo porque minha experiência mostra que um conselho dado sem ser solicitado é, de um modo geral, um conselho mal ouvido.

Peça conselhos…e seja um bom ouvinte.

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